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    Nova regulação do BDR permite que pequenos investidores invistam no exterior


    Nos últimos dois anos o interesse dos brasileiros sobre o funcionamento e a dinâmica do mercado financeiro elevou consideravelmente de patamar.

    A B3, que tinha pouco mais de 800 mil CPFs cadastrados ao final de 2018, possui atualmente mais de 2,7 milhões pessoas inscritas.

    A queda dos juros básicos (Selic) gerou a perda de atratividade em investimentos conservadores e isso tem provocado esse boom de pessoas físicas para a Bolsa. 

    Esse movimento mostra forte potencial de expansão nos próximos anos. Inclusive, os principais atores do mercado financeiro e as entidades regulatórias devem se esforçar cada vez mais para trazer novos tipos ativos e operações aos investidores, assim como já tem acontecido.

    Atualmente a notícia que chama mais a atenção do mercado é a alteração da regulação do Brazilian Depositary Receipts (BDR), certificados de depósito de valores mobiliários, emitidos e negociados no Brasil por companhias abertas, ou assemelhadas, com sede no exterior.

    No mês de agosto, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a permitir a compra desse tipo de ativo pelos investidores não qualificados – aqueles que possuem menos de R$ 1 milhão em investimentos.

    Como um título atrelado a ação de companhias norte-americanas, como Apple, Amazon, Facebook, Google, Microsoft, Disney, entre outras, o BDR vai acompanhar as oscilações que elas tiverem ao longo do tempo de investimento.

    Obviamente, o ativo pode ser uma boa alternativa de diversificação e rentabilização de investimentos.

    Contudo, há riscos atrelados a quaisquer ativos de Bolsas. Em primeiro lugar, a equidade de oscilação de preço da ação e capital não é garantida.

    Soma-se à isso ainda o fator cambial, na diferença entre o dólar, moeda original da ação, e o real, local de custódia do BDR.

    Para auxiliar a tomada de decisão dos investidores é natural que casas de análises, gestores de investimento, fundos e consultores financeiros comecem a estudar sobre o tema para oferecer a novidade aos seus clientes.

    Certamente, os BDRs serão incluídos em carteiras recomendadas, calls de analistas de investimentos e em alocações de fundos de investimentos. 

    Porém, a coisa não deve parar por aí. Hoje, além do sistema tradicional de investimentos, como as assets de teses fundamentalistas e os valeu investing do Leblon e Faria Lima, há um cenário muito forte de crescimento das fintechs, que vem gerando um rápido valor adicional e oportunidades aos investidores.   

    Pensando na tecnologia aplicada ao BDR, deve se esperar que essas novas empresas desenvolvam soluções focadas no ambiente quantitativo de análise dos ativos, gerando relatórios de research e recomendações de investimento processadas 100% a partir de algoritmos de investimentos.

    O maior benefício disso é que os algoritmos consideram milhares de dados e múltiplas variáveis para chegar em uma boa taxa de assertividade, correlacionada ao grau de risco de cada investidor. 

    Ações como essas das fintechs vão dar maior nível de assertividade aos investidores que incluírem os ativos em suas carteiras de investimento.

    Por fim, vale destacar que o BDR deve ingressar, também, nas carteiras de empresas que usam tecnologia para fornecer serviços financeiros digitais, como é o caso dos robôs advisors e robôs de investimentos, que, além das análises, promovem também a operação ao investidor.

    Sem dúvida, os BDRs podem beneficiar as pessoas que buscam novas formas de rentabilizar suas aplicações diante da queda dos juros, além de democratizar a diversificação de investimentos.

    Por Marcelo Ruiz é sócio-fundador e CFO da TradeMachine, fintech que disponibiliza investimentos em renda variável a partir de estratégias automatizadas indicadas pelos seus algoritmos.

    Fonte: Jornal Contabil

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